Carreira que cabe na sua vida
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Guia prático · 5 movimentos · 2026
Carreira que cabe na sua vida
Um guia prático em 5 movimentos para planejar sua carreira sem pagar a conta com a sua saúde.
Antes de começar
Lê do seu jeito, no seu tempo
Esse guia foi feito pra ser lido em pedaços.
Cada capítulo abre com um resumo de uma frase, tem tempo de leitura na porta e termina com um exercício que cabe em dez minutos.
Você pode ler na ordem, pular direto pro movimento que te interessa ou fazer só os exercícios. Nada aqui depende de você ter lido a página anterior.
E não tem cronograma.
Se você levar três meses pra chegar no fim, tá tudo bem.
Guia de carreira que te apressa vira só mais uma demanda na sua semana. E demanda você já tem de sobra 🥲
Três formas de usar, dependendo da sua energia hoje
Tenho 10 minutos: leia os quadros “Em uma frase” de cada movimento e faça só o exercício do Movimento 01.
Tenho uma hora: leia os cinco movimentos na ordem e preencha o Plano de 90 Dias no fim.
Tenho um mês: um movimento por semana, com o exercício feito com calma. É assim que eu recomendo.
Acessibilidade
Feito pra ser lido por todo mundo
Eu já trabalhei com gente que precisava de leitor de tela pra ler qualquer material do RH.
E já vi material lindo virar inútil porque alguém salvou o texto todo como imagem 🥲
Então esse guia foi desenhado com algumas decisões bem intencionais:
As sete decisões que estão aqui dentro
- Texto de verdade, nunca imagem de texto. Tudo aqui pode ser lido em voz alta por leitor de tela, selecionado, copiado e traduzido.
- Sem animação, sem piscar, sem som automático. Nada nesta leitura se mexe sozinho. Isso importa para quem tem fotossensibilidade, enxaqueca, disautonomia ou déficit de atenção.
- Contraste alto e tipografia generosa. Corpo de texto grande, linhas curtas e espaçamento largo, com contraste acima do mínimo recomendado pelas diretrizes WCAG.
- Cor nunca é a única pista. Toda informação marcada por cor também está marcada por texto, número ou título.
- Uma coluna só, na ordem de leitura. Nada de texto em duas colunas: a ordem que o olho segue é a mesma que o leitor de tela anuncia.
- Exercícios que cabem em dias ruins. Todos podem ser feitos deitado, ditados por voz ou respondidos em áudio no seu celular.
- Versão em HTML acessível incluída. Além deste PDF, você recebe uma versão web com controle de tamanho de texto, espaçamento, modo escuro e fonte de leitura facilitada.
Se alguma coisa aqui ainda não funcionar bem pra você, me manda mensagem. Acessibilidade é ajuste contínuo, não certificado que a gente pendura na parede.
Quem tá falando com você
Eu escrevi esse guia porque precisei dele antes
Em 2023 eu fui parar num leito de hospital, alimentado por sonda, depois de uma complicação cirúrgica.
E olha que ironia: aquele era o ano mais produtivo da minha carreira.
Meta batida, agenda cheia, tudo funcionando.
Por fora, a vida tava dando certo. Por dentro, já tava dando errado fazia tempo.
Eu só nunca tinha parado pra olhar.
Hoje eu moro num sítio em São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, com meu marido e dois huskies que não fazem a menor ideia do que é uma reunião de alinhamento. E sigo sendo HRBP, gerente de pessoas, consultor.
Ou seja: eu não larguei tudo pra viver de plantar alface.
Eu reorganizei a carreira em volta da vida que eu queria ter, em vez de fazer o contrário por mais dez anos.
São mais de 12 anos de RH, a maior parte deles do outro lado da mesa. Montando plano de carreira dos outros, aprovando promoção, segurando gente que ia pedir demissão, demitindo gente que nunca deveria ter sido contratada. Já passei de startup de 3 pessoas a scale-up com mais de mil, e acompanhei mais de 50 empresas em consultoria.
Esse guia é o que eu teria feito comigo em 2019, se alguém tivesse me dado o mapa. Vou falar em primeira pessoa o tempo todo. Não porque a minha história seja especial, mas porque conselho de carreira que não passou pela vida de ninguém é bonito no slide e inútil na segunda-feira.
O mapa
O que você vai encontrar aqui
Cinco movimentos, na ordem em que eles funcionam.
Diagnóstico antes de direção. Direção antes de limite. Limite antes de plano.
A maior parte das pessoas começa pelo plano.
E é exatamente por isso que o plano não sobrevive a fevereiro 😅
- 00O que tá acontecendo lá foraOs dados que explicam por que tanta gente boa tá travada agora. Cinco minutos de leitura.
- 01Onde você está de verdadeO Mapa das 4 Cargas: um diagnóstico honesto do que tá pesando, separado por tipo de peso.
- 02Pra onde você quer irComo achar direção sem cair na conversa de propósito. Critério de vida primeiro, cargo depois.
- 03Limites que sobrevivem à segunda-feiraLimite não é discurso, é combinado operacional. Com os scripts das conversas difíceis prontos.
- 04Empregabilidade sem sacrifícioComo se manter relevante em quatro horas por mês, sem virar influencer nem fazer MBA por pânico.
- 05O plano de 90 diasUm objetivo, três movimentos, uma métrica de vida. E a revisão de 30 minutos que segura tudo de pé.
- 06Kit de bolsoChecklist da sexta, 12 perguntas pra conversa com seu gestor e os sinais que não dá pra ignorar.
Movimento 00O que tá acontecendo lá fora
Antes de olhar pra você, vale olhar pro terreno. Boa parte do que você sente como fracasso pessoal é sintoma coletivo, e tem dado pra provar.
Não é você que ficou fraco. O terreno mudou, e ninguém mandou o aviso.
Movimento 00 · leitura de 4 minutos
Os números que ninguém te contou
Eu desconfio de guia de carreira que começa com estatística.
Então prometo: essa é a parte mais curta do livro.
Mas esses números mudam o diagnóstico. E diagnóstico errado gera plano errado.
- +823%de alta nos afastamentos por burnout pelo INSS entre 2021 e 2025
- 57%dizem estar “agarrados ao emprego”. Por medo, não por escolha
- 28%é o otimismo com o próprio trabalho. Era 46% um ano antes
E tem um quarto dado que fecha a conta: numa pesquisa com profissionais brasileiros em 2026, só 30,6% disseram se sentir seguros e estáveis na carreira.
Ou seja: é gente que fica, entrega o mínimo, adoece devagar e chama isso de estabilidade.
Movimento 00
A descoberta mais útil da pesquisa toda
De tudo que eu li pra montar esse guia, uma frase resumiu o problema melhor que qualquer gráfico:
a dificuldade de dar o próximo passo não vem de falta de ambição. Vem de falta de clareza.
As pessoas querem crescer.
Elas só não sabem crescer pra onde. E ninguém quer admitir isso numa reunião de feedback 😅
Se o problema fosse ambição, a solução seria motivação. E é por isso que o mercado vende tanto conteúdo motivacional que não resolve nada. Se o problema é clareza, a solução é método.
Método é chato, sequencial e dá pra fazer cansado.
Que é exatamente o estado em que a maioria de nós está quando finalmente decide mexer na carreira.
O que mudou no jogo, em três linhas
- Carreira deixou de ser linear. Pausa pra se requalificar, mudança de área, ciclo de projeto, emprego somado a uma segunda frente. Isso é trajetória normal agora, não plano B.
- Flexibilidade virou moeda. Autonomia sobre onde, quando e como trabalhar hoje pesa quase tanto quanto salário. E é negociável muito mais vezes do que a gente imagina.
- Empregabilidade virou manutenção. Não é mais um projeto de dois anos de MBA. É rotina pequena e constante. O Movimento 04 mostra como fazer isso em quatro horas por mês.
Movimento 01Onde você está de verdade
Você não está só “cansado”. Existem quatro tipos diferentes de peso, e cada um pede uma solução diferente. Tratar o peso errado é o motivo de férias não resolverem nada.
Cansaço não é uma coisa só. São quatro, e cada uma se resolve de um jeito.
Movimento 01 · leitura de 6 minutos
As quatro cargas
Toda vez que alguém me diz “eu tô exausto”, minha primeira pergunta é: exausto de quê?
Porque quem tá exausto de volume precisa de menos tarefa.
E quem tá exausto de conflito pode ter a agenda esvaziada que continua exausto do mesmo jeito.
Eu passei anos achando que meu problema era volume.
Não era.
As quatro cargas, separadas
1. Carga de execução. Quantidade bruta. Horas, tarefas, entregas, deslocamento, reunião. É a única que todo mundo enxerga, e por isso vira a explicação pra tudo.
2. Carga cognitiva. Quantas decisões você toma por dia, quantas vezes troca de contexto, quantas interrupções absorve, quanta coisa segura de cabeça porque não tá escrita em lugar nenhum.
3. Carga emocional. Conflito, expectativa dos outros, medo de errar, cliente difícil, gestor imprevisível, clima ruim no time, a sensação de estar sempre em avaliação.
4. Carga fisiológica. Sono, dor, energia, sintoma, remédio, condição de saúde, ciclo hormonal. O corpo tem um limite que a sua agenda finge que não existe.
Movimento 01 · exercício
Mapa das 4 Cargas
Pensa na sua última semana normal. Não na pior, nem na melhor.
Dá uma nota de 0 a 5 pra cada carga, onde 0 é “não pesa” e 5 é “insustentável”.
Depois escreve, em uma linha só, qual foi o momento mais pesado daquela semana em cada categoria. A nota sozinha não serve pra nada. É a linha do exemplo concreto que mostra onde mexer.
| Carga | Nota 0 a 5 | O momento mais pesado da semana |
|---|---|---|
| Execução (volume) | ||
| Cognitiva (decisão e interrupção) | ||
| Emocional (conflito e expectativa) | ||
| Fisiológica (corpo e energia) |
Agora soma.
Até 7: ciclo pesado, mas administrável.
De 8 a 13: território em que a carreira costuma ser decidida por cansaço, e não por escolha.
14 ou mais: o assunto deixou de ser planejamento e virou recuperação. Vai direto pro Movimento 03 e pra página de sinais de alerta, no fim do guia.
Movimento 01 · como ler o resultado
O que fazer com a carga mais alta
Olha só pra sua maior nota.
Não tenta resolver as quatro.
A tabela abaixo é o atalho que eu uso nas mentorias, e ela existe justamente pra fugir da solução genérica de sempre, que é dormir mais e torcer pra melhorar.
| Se a maior carga é | O erro comum | O que costuma funcionar |
|---|---|---|
| Execução | Ficar mais eficiente pra caber mais coisa no mesmo dia | Cortar ou renegociar escopo, com nome e prazo. Eficiência sem corte só aumenta a fila. |
| Cognitiva | Achar que falta disciplina | Reduzir troca de contexto: bloco protegido na agenda, menos canais, decisão documentada fora da sua cabeça. |
| Emocional | Levar pra terapia e parar por aí | Nomear a relação ou a situação específica que drena, e tratar como assunto de trabalho, com conversa marcada. |
| Fisiológica | Encaixar a saúde nas sobras do dia | Colocar o cuidado na agenda antes das entregas, e tratar como restrição fixa, não como preferência. |
Uma pergunta que dói e resolve
Se nada mudar nos próximos 12 meses, qual dessas quatro cargas te derruba primeiro?
Escreve a resposta em algum lugar que você vai ver de novo.
Foi essa pergunta, feita por uma pessoa que eu respeito, que começou a virar a minha chave em 2023.
Eu já sabia a resposta fazia dois anos.
Só nunca tinha escrito.
Movimento 02Pra onde você quer ir
Direção não é revelação que chega no banho. É um conjunto de critérios de vida definidos antes do cargo, e não depois dele.
Defina como você quer viver. O cargo é consequência, não ponto de partida.
Movimento 02 · leitura de 6 minutos
O problema da pergunta “qual é o seu propósito”
Eu já apliquei essa pergunta em dinâmica de time. E já respondi ela em processo seletivo.
Ela quase nunca produz clareza.
Produz uma frase bonita que a pessoa esquece na semana seguinte. Porque propósito é abstrato demais pra virar decisão de terça-feira.
A pergunta que funciona é mais concreta e bem mais desconfortável: como você quer que seja um dia comum da sua vida daqui a dois anos?
Não o dia da promoção. O dia comum.
Que horas começa. Quem tá por perto. Quanto silêncio tem. Quanta previsibilidade tem.
E quanto do seu corpo sobra no fim dele.
Quando eu troquei uma pergunta pela outra, a resposta veio rápido e foi meio decepcionante de tão simples: eu queria acordar sem alarme na maior parte dos dias, trabalhar com problema complexo de gente e ver mato pela janela.
Nada disso exigia largar o RH.
Exigia mudar onde e como o RH acontecia.
Foi escrevendo o dia comum que ficou óbvio: o meu problema nunca tinha sido a profissão.
Movimento 02 · exercício
Os cinco inegociáveis e o teste dos três nãos
Critério de vida só vira decisão quando tá escrito e é finito.
Cinco é o número certo: com três você fica rígido demais, com dez você não priorizou nada.
Meus cinco inegociáveis para os próximos dois anos
Exemplos reais de gente que eu acompanhei, só pra calibrar: “não aceito cargo que exija mudança de cidade”, “preciso de dois dias por semana sem reunião”, “quinta à noite é da minha filha, sem exceção”, “não trabalho onde meu gestor manda mensagem no domingo”, “preciso de previsibilidade de escala por causa do meu tratamento”.
O teste dos três nãos
Agora a parte que separa lista de desejos de critério de verdade.
Escreve três coisas que você precisa poder recusar sem culpa. E, do lado, o que acontece na prática se você recusar.
Se a consequência for aceitável, aquilo já é um limite seu.
Se for inaceitável, parabéns: você acabou de achar o assunto da sua próxima conversa com o gestor.
Eu preciso poder dizer não para… / Se eu disser, acontece que…
Movimento 02 · exercício
Os três cenários de 12 meses
Quase todo mundo trata carreira como decisão binária: fico ou saio.
É uma armadilha. As duas opções são grandes demais pra caber num dia cansado.
Aí você não escolhe nenhuma, e deixa o tempo escolher por você.
Escreve três cenários. E capricha na honestidade da coluna do custo, que é onde a gente costuma mentir.
| Cenário | O que eu ganho | O que eu perco | Quanto custa (dinheiro, tempo, energia) |
|---|---|---|---|
| A. Fico e renegocio o combinado | |||
| B. Mudo de time, área ou empresa | |||
| C. Mudo o modelo (jornada, PJ, projeto, redução) |
Duas regras.
Primeira: o cenário A precisa ser escrito com o mesmo cuidado dos outros dois. Ficar também é uma escolha ativa, e quase ninguém trata assim.
Segunda: nenhum cenário pode ficar com a coluna do custo vazia. Se ficou vazia, você tá romantizando a saída. E saída romantizada vira arrependimento em seis meses.
Movimento 03Limites que sobrevivem à segunda-feira
Limite não é discurso sobre autocuidado. É combinado operacional, com horário, canal e escopo. E precisa ser dito em voz alta pra alguém.
Limite que não foi combinado com outra pessoa não é limite. É intenção.
Movimento 03 · leitura de 7 minutos
Por que o seu limite não para de pé
Você provavelmente já decidiu, sozinho, que não ia mais responder mensagem à noite.
E provavelmente voltou a responder na primeira semana em que a coisa apertou.
Isso não é falta de caráter.
É que limite decidido sozinho é uma promessa interna competindo com uma pressão externa. E a pressão externa tem prazo, chefe e consequência. A promessa interna não tem nada disso.
Limite vira real quando deixa de ser sobre você e vira combinado explícito.
Três elementos, sempre os mesmos 👇
Os três combinados
Horário de corte. A partir de que hora você não está disponível, e o que você faz com o que chegar depois disso. Sem essa segunda parte, o horário não se sustenta.
Canal de urgência. Qual é o único caminho que fura o horário de corte, e o que conta como urgência de verdade. Se tudo é urgente por qualquer canal, você não tem canal. Tem sirene.
Escopo. O que é seu, o que não é seu, e o que você faz quando chega demanda que não é sua. “Eu faço rápido, só dessa vez” é como quase todo escopo cresce.
Eu demorei demais pra entender que esses três combinados são uma conversa de 20 minutos, e não uma transformação pessoal.
E que a maioria dos gestores aceita, porque pra eles o assunto é previsibilidade, não controle.
O problema é que quase ninguém pede.
Movimento 03 · scripts
As conversas difíceis, já escritas
Copia, adapta e manda.
Sei que parece exagero entregar frase pronta. Mas o que trava a conversa quase nunca é coragem.
É não saber por onde começar a frase, ainda mais quando você já tá no limite da energia.
Oi [NOME], queria marcar 30 minutos com você essa semana pra alinhar prioridade e forma de trabalho. Não é nada urgente nem grave, é pra gente combinar melhor o dia a dia e eu conseguir entregar com mais previsibilidade. Pode ser [DIA] às [HORA]?
Consigo entregar [ENTREGA] com a qualidade que a gente precisa até [NOVA DATA]. Pra entregar em [DATA ORIGINAL], eu precisaria despriorizar [OUTRA COISA] ou reduzir o escopo pra [VERSÃO MENOR]. Qual dessas três opções funciona melhor pra você?
Essa demanda não tá no meu escopo hoje e, se eu assumir, [ENTREGA ATUAL] atrasa. Consigo ajudar de duas formas: te conecto com [PESSOA OU ÁREA], ou entro só na parte de [RECORTE PEQUENO]. Se for pra assumir inteira, a gente precisa combinar o que sai do meu prato.
Queria propor um ajuste: [PROPOSTA CONCRETA: dois dias sem reunião, entrada às 10h, home office na sexta]. O que eu me comprometo a manter é [CONTRAPARTIDA: entrega no prazo, presença nos rituais X e Y, resposta em até N horas dentro do horário]. Topa testar por 60 dias e revisar com dado na mesa?
Movimento 03 · o que você não é obrigado a contar
Falar de saúde no trabalho sem se expor demais
Essa é a pergunta que eu mais recebo de pessoas neurodivergentes, de quem tem condição crônica, de quem tá em tratamento.
E a resposta é mais simples do que parece: você não é obrigado a revelar diagnóstico pra pedir um ajuste.
Diagnóstico é informação de saúde. É sua. E a decisão de compartilhar também é sua, inclusive com o RH.
O que funciona melhor, na prática, é pedir o ajuste pelo efeito, e não pela causa. Compara:
| Em vez de | Diga |
|---|---|
| Eu tenho [DIAGNÓSTICO] e por isso não consigo trabalhar assim | Eu rendo muito mais com [AJUSTE ESPECÍFICO]. Com isso, eu entrego [RESULTADO]. |
| Reunião em pé e barulho me fazem mal | Preciso participar dessa reunião sentado e com câmera opcional. Assim eu acompanho o encontro inteiro. |
| Eu me perco quando me pedem tudo de uma vez | Preciso das demandas por escrito e com prioridade indicada. Assim eu não erro a ordem e a gente evita retrabalho. |
Uma coisa que eu aprendi sendo o cara do RH:
quase todo pedido de ajuste que chega estruturado, com proposta e contrapartida clara, é aprovado.
O que trava é o pedido vago. Porque o gestor não consegue prever o impacto e, no escuro, ele diz não por padrão.
Movimento 04Empregabilidade sem sacrifício
Se manter relevante virou rotina pequena e contínua, não projeto heroico. Quatro horas por mês, bem colocadas, valem mais que um MBA feito por pânico.
Quatro horas por mês, divididas em três camadas, seguram a sua empregabilidade.
Movimento 04 · leitura de 6 minutos
A conta real de “se atualizar”
A pressão pra se atualizar hoje é permanente. E ela produz duas reações igualmente ruins.
A paralisia: a pessoa não faz nada, porque qualquer coisa que ela comece parece pouco.
O pânico caro: a pessoa se matricula num curso de 15 mil reais que nunca vai terminar.
Porque o problema nunca foi conteúdo. Foi tempo e energia.
O que eu vejo funcionar, inclusive comigo, é uma rotina de quatro horas por mês dividida em três camadas. E não é pouco por preguiça: é pouco porque o que sustenta é a frequência, e frequência só sobrevive se couber num mês ruim.
As três camadas, quatro horas por mês
Camada 1 · Profundidade (2h). Uma coisa só da sua área, feita com atenção. Um relatório do setor, um estudo de caso, uma conversa com alguém que faz melhor que você. Profundidade é o que te separa de quem sabe a superfície de tudo.
Camada 2 · Ferramenta (1h). Uma ferramenta nova por trimestre, usada num problema real seu, não em tutorial. Hoje, na prática, isso quase sempre é usar IA em alguma tarefa que você já faz, pra saber por experiência própria o que ela resolve e o que ela não resolve.
Camada 3 · Negócio (1h). Entender como a sua empresa ganha dinheiro e o que tá mudando no seu setor. É a camada que quase ninguém faz e a que mais rápido te promove, porque muda o nível da sua conversa.
Movimento 04 · exercício
Matriz de risco e arquivo de evidências
Lista cinco atividades que ocupam a maior parte da sua semana. Do lado de cada uma, marca se uma IA já faz aquilo hoje com qualidade razoável, e se aquilo depende de contexto, relação ou julgamento que só quem tá lá dentro tem.
| Atividade da minha semana | IA já faz? (sim / em parte / não) | Depende de mim? (por quê) |
|---|---|---|
| 1. | ||
| 2. | ||
| 3. | ||
| 4. | ||
| 5. |
A leitura é direta.
Onde tem “sim” e pouca dependência de você: é onde você precisa aprender a usar a ferramenta antes que a conversa aconteça sem você.
Onde depende de você: é onde tá o seu valor. E é isso que precisa aparecer no CV, na avaliação de desempenho e na próxima negociação de salário.
Arquivo de evidências: cinco linhas por mês
Uma vez por mês, escreve cinco linhas num arquivo só seu: o que eu entreguei, qual foi o resultado em número, o que eu aprendi, quem viu, o que eu faria diferente. Leva dez minutos.
Em um ano você tem material pro currículo, pra avaliação e pra qualquer entrevista.
E não precisa reconstruir dois anos de memória numa madrugada de domingo 😅
Movimento 05O plano de 90 dias
Um objetivo, três movimentos e uma métrica de vida. 90 dias é o único horizonte curto o bastante pra você não desistir e longo o bastante pra mudar alguma coisa.
Um objetivo, três movimentos, uma métrica de vida. Revisão a cada trimestre.
Movimento 05 · exercício final
Do cenário para o movimento
Volta na tabela dos três cenários do Movimento 02 e escolhe um.
Não o mais bonito. O que você consegue começar nas próximas duas semanas, com a energia que você tem hoje.
O plano abaixo tem uma regra que parece boba e é o coração da coisa: uma das métricas precisa ser de vida, não de carreira. Sem isso, todo plano de carreira vira mais trabalho, e em seis meses você tá de volta na casa de partida.
Meu objetivo dos próximos 90 dias (uma frase, começando com um verbo)
| Movimento | Primeira ação concreta | Até quando | Como eu vou saber que aconteceu |
|---|---|---|---|
| 1. | |||
| 2. | |||
| 3. |
| Minha métrica de carreira | Minha métrica de vida |
|---|---|
Movimento 05 · manutenção
A revisão de 30 minutos
Plano de carreira não morre por ser ruim.
Morre por não ser revisado.
Marca agora, na sua agenda, 30 minutos daqui a 90 dias, com o título “revisão de carreira”.
Se você não marcar enquanto tá lendo isso, você não vai marcar depois. Eu também não marcaria 😅
As cinco perguntas da revisão
1. Dos três movimentos, quais aconteceram de verdade? Sem justificativa, só o fato.
2. O que atrapalhou? Faltou tempo, energia, clareza ou coragem? As quatro pedem soluções diferentes.
3. Como estão as quatro cargas hoje, comparadas com a primeira vez que eu preenchi?
4. Algum inegociável mudou? E se mudou, foi porque a minha vida mudou ou porque eu me acostumei com o que me incomodava?
5. Qual é o próximo objetivo de 90 dias?
A pergunta 4 é a mais importante e a que quase ninguém faz.
Se acostumar com o que incomoda foi exatamente o mecanismo que me manteve dois anos numa rotina que tava me adoecendo.
O corpo aguenta bem mais do que deveria.
E ele não avisa antes. Ele avisa depois.
Movimento 06Kit de bolso
As três páginas que valem imprimir e deixar por perto: o checklist da sexta, as perguntas da conversa com o gestor e os sinais que não dá pra ignorar.
Kit de bolso · 1
Checklist da sexta, em dez minutos
Sexta-feira, fim do dia. Ou o momento equivalente na sua semana.
Dez minutos, cinco perguntas, zero julgamento.
É a menor rotina que eu conheço capaz de impedir que seis meses passem no piloto automático.
As cinco perguntas da sexta
1. O que eu entreguei essa semana que valeu a pena? (uma linha pro arquivo de evidências)
2. Qual foi o momento mais pesado, e qual das quatro cargas ele era?
3. Eu quebrei algum dos meus três combinados? Quem pediu, e eu disse o quê?
4. Eu andei em algum dos três movimentos do meu plano de 90 dias?
5. O que eu preciso pedir, recusar ou combinar na semana que vem?
Se não conseguir fazer as cinco, faz só a 2 e a 5.
São as duas que geram ação. As outras três são memória, e memória você recupera depois.
Kit de bolso · 2
12 perguntas pra conversa com o seu gestor
Não leva as doze.
Escolhe três, no máximo quatro, e leva escritas.
Conversa de carreira que funciona é curta, específica e termina com um pedido claro.
Pra entender onde você está
- Se você tivesse que descrever a minha entrega dos últimos seis meses em uma frase, qual seria?
- Existe alguma percepção sobre o meu trabalho que eu provavelmente não sei que existe?
- O que eu faço que gera mais valor pro time, na sua visão?
Pra entender o caminho
- O que precisaria ser verdade pra eu chegar em [POSIÇÃO ou ESCOPO] nos próximos 12 meses?
- Quem aqui dentro já faz isso do jeito que você considera padrão? Posso conversar com essa pessoa?
- Que decisões hoje passam por você e poderiam passar a ser minhas?
Pra combinar a forma de trabalho
- Qual é a sua expectativa real de disponibilidade fora do horário? Quero deixar isso explícito.
- O que conta como urgência de verdade pra você, e por qual canal ela deve chegar?
- Se eu precisar despriorizar alguma coisa numa semana apertada, o que sai primeiro?
Pra fechar com um pedido
- Queria propor [AJUSTE CONCRETO] por 60 dias, mantendo [CONTRAPARTIDA]. Topa testar?
- O que você precisa de mim pra defender isso, caso alguém questione?
- A gente pode revisar esse combinado em [DATA], com dado na mesa?
Kit de bolso · 3
Sinais de alerta e quando pedir ajuda
Esse guia é sobre planejamento de carreira.
Ele não é material clínico e não substitui acompanhamento de saúde.
Existe um ponto em que a conversa deixa de ser sobre plano e passa a ser sobre cuidado.
Ignorar esse ponto foi o erro mais caro que eu já cometi na vida.
Se três ou mais desses estiverem acontecendo há mais de duas semanas
Você acorda já cansado, mesmo tendo dormido as horas de sempre.
Domingo à tarde virou um bloco de angústia previsível.
Você tá mais irritado ou mais anestesiado com coisas que antes te mobilizavam.
Sintoma físico sem explicação clara: dor, taquicardia, tontura, mudança no sono ou no apetite.
Você parou de fazer o que te dava prazer, e nem sente falta.
A ideia de que “se eu sumir, resolve” apareceu na sua cabeça mais de uma vez.
Nesse caso, o próximo passo não é o Movimento 05. É procurar ajuda profissional: um médico, um psicólogo, o serviço de saúde do seu convênio, ou a rede pública pela unidade de saúde mais próxima e pelos CAPS do seu município.
Transparência
De onde vieram os dados
Os números do Movimento 00 vêm das fontes abaixo, consultadas em agosto de 2026. Dado de mercado envelhece: se você tiver lendo isso muito depois, vale conferir a versão mais recente de cada pesquisa.
- Afastamentos por burnout no INSS: de 823 (2021) para 7.595 (2025)csb.org.br/noticias/afastamentos-burnout-crescem-800-quatro-anos
- Burnout e o custo em produtividade no Brasiljornaldobras.com.br/noticia/129032
- Saúde mental no trabalho em 2026: dados e tendências de RHflashapp.com.br/blog/saude-mental-no-trabalho
- Dilemas profissionais em 2026: incerteza, estagnação e pressão (pesquisa Conquer)diariodocomercio.com.br/negocios/dilemas-profissionais-2026-veja-principais-desafios
- Falta de clareza de carreira, e não de competênciamundorh.com.br/7-sinais-de-que-falta-clareza-de-carreira-e-nao-competencia
- Job hugging: 57% dizem estar se agarrando ao emprego (fev/2026)founderreports.com/job-hugging-statistics
- The Great Detachment: a queda do otimismo com o trabalho (Gallup, 2026)blog.theinterviewguys.com/the-great-detachment
- Guia de carreira 2026: empregabilidade, flexibilidade e trajetórias não linearesrandstad.com.br/guia-carreira/carreira-profissional
- 5 tendências que vão redefinir o mundo do trabalho em 2026forbes.com.br/carreira/2026/01/5-tendencias-que-vao-redefinir-o-mundo-do-trabalho-em-2026
Os exercícios, tabelas e scripts são autorais, construídos a partir da minha prática como HRBP e consultor, e testados em mentoria individual e em time real. Se você usar alguma parte disso com o seu time, só te peço que mantenha o crédito 🫶🏻
Direitos. Material de uso pessoal de quem comprou. Reprodução para venda ou distribuição em massa não está autorizada. Uso em treinamento interno de empresas mediante combinação prévia, e aí é só me chamar que costuma dar certo.
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